
No passado o médico era a principal fonte de informações para seus clientes. O que o doutor falava era tido como verdade absoluta. Alguns, um pouco mais desconfiados, recorriam a outras fontes: livros, enciclopédias de saúde, revistas e almanaques. Ainda não era moda a consulta de outro profissional para uma "segunda opinião".
Hoje as coisas mudaram. E como mudaram. Com a relação médico/paciente fragilizada pela medicina que se pratica atualmente, o paciente, que muitas vezes nem sabe o nome do médico, não confia em mais ninguém e recorre a vários profissionais numa interminável peregrinação por vários consultórios procurando uma resposta para as suas angústias e solução para os seus problemas.
A rede mundial de computadores colocou um complicador a mais nesta delicada questão. O acesso à internet vem se democratizando progressivamente e hoje está disponível nas residências, empresas, bibliotecas, escolas, cyber-cafés e outros locais públicos.
Com a internet qualquer pessoa pode acessar milhares de informações sobre qualquer assunto. E em se tratando de medicina, tudo, mas tudo mesmo, está ao alcance da pontas dos dedos de qualquer um em questão de segundos. É aí que mora o perigo. Ao lado de informações realmente úteis, mais de 50% do que se publica na internet é origem duvidosa e não é fácil separar o joio do trigo.
O médico deve estar preparado para lidar com mais este problema. É bom que o paciente tenha o máximo de informação sobre sua enfermidade. Uma pessoa bem informada aceita melhor a medicação e os procedimentos, muitas vezes desconfortáveis e dolorosos, que o caso requer. Hoje é cada vez mais difundido o conceito de decisão compartilhada. O médico explica tudo ao paciente, ou aos responsáveis em se tratando de menores e incapazes, diagnóstico, prognóstico, opções de tratamento e, juntos, decidem sobre a conduta a seguir. O doente abandona a passividade e assume a co-autoria na condução do processo terapêutico.