Muito tem sido falado e escrito a respeito da excessiva utilização dos exames de laboratório e do impacto dos mesmos nos custos crescentes da assistência médica. Por utilização excessiva entende-se o uso sem critério de exames de "rotina", a repetição de exames no mesmo paciente sem que haja um motivo razoável, a falta de observação das interferências que um procedimento diagnóstico pode ter em outro, a solicitação de exames sem um nexo efetivo com o quadro clínico do paciente ... a lista seria longa.
A relação custo/benefício de cada exame deve ser analisada individualmente. Antes de preencher o pedido de exame o médico necessita conhecer o quanto cada exame custará econômica, física e emocionalmente ao seu cliente. Embora os exames laboratoriais possam ser considerados uma fonte eficaz de informações, eles possuem limitações que são inerentes aos métodos e procedimentos utilizados. Consequentemente, a solicitação de exames deve ser individualizada e restrita aos testes relacionados ao quadro clínico do paciente. A solicitação aleatória de exames é de pouca valia no escla-recimento diagnóstico e muitas vezes traz mais confusão. É mais útil a solicitação de poucos exames criteriosamente selecionados do que de muitos ao acaso. Uma história clínica minuciosa e um exame clínico bem elaborado ainda são os pilares de uma boa assistência médica. Um médico competente usa o laboratório para confirmar ou excluir uma hipótese diagnóstica construída com base no seu raciocínio clínico. O médico inexperiente muitas vezes utiliza o laboratório em substituição ao exame clínico e, com isto, sacrifica seu cliente, onera os custos da assistência médica e ... erra mais. Muitos médicos praticam a chamada "medicina defensiva" e solicitam mais e mais exames visando se proteger de futuras acusações de imperícia ou negligência.
Antes de requisitar um exame de laboratório o médico deve responder às seguintes perguntas:
1. O resultado deste exame pode mudar meu diagnóstico, prognóstico ou tratamento ?
2. O resultado deste exame permitirá que eu tenha um melhor entendimento da doença apresentada pelo meu paciente ?
3. Que benefício este exame trará para meu paciente ?
O médico deve ter um canal de comunicação direta com o laboratório através de uma via da mão dupla entre ele e o patologista clínico. O patologista clínico atuando como um consultor com relação aos exames laboratoriais e o clínico proporcionando um "feedback" ao patologista. Quando surgir qualquer dúvida sobre exames ou resultados conflitantes, o médico requisitante deve imediatamente entrar em contato com o patologista clínico para discussão do caso. Um resultado inesperado é, na maioria das vezes, considerado "erro do laboratório" quando na verdade ele pode estar sinalizando para um fato clínico relevante.
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